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19 de Novembro de 2020 às 10h59min

Entidades debatem regulamentação da produção de bioinsumos on farm

A produção de bioinsumos é um caminho em franca ascensão

A eficiência, a segurança e a regulamentação da produção de insumos biológicos em propriedades rurais esteve em discussão na tarde desta terça-feira (17), em seminário realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), e Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS).

De acordo com os especialistas, a utilização dos bioinsumos de origem animal, vegetal ou microbiana possui histórico de mais de meio século. Seu uso tem crescido nas fazendas e, apesar do produtor brasileiro atuar com profissionalismo e responsabilidade social e ambiental, há a necessidade de ordenamento no uso dos produtos, evitando riscos para as lavouras e consumidores.

Segundo o presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Ricardo Arioli, a produção de bioinsumos é um caminho em franca ascensão e, exatamente por isso, requer regulamentação para garantir, inclusive, segurança jurídica na produção e uso on farm.

“Esse crescimento tende a ser um divisor de águas na agricultura brasileira, mas precisa ser tratado com atenção, cuidado e profissionalismo”, avaliou. “Isso vai permitir definição de protocolos, treinamentos e certificações que priorizam a eficiência e a qualidade”, defendeu Arioli, acrescentando que o objetivo da CNA é promover ainda mais ganhos de produtividade para a agricultura brasileira.

Ampliar a eficiência e garantir a segurança também foi o discurso do diretor executivo da Aprosoja, Fabrício Rosa, durante o primeiro painel. “Temos que aprimorar a regulamentação, fornecendo meios seguros para que os produtores possam realizar essa atividade na própria fazenda”, pontuou. Ainda durante o primeiro painel, o presidente do GAAS, Rogério Vian, lembrou que representantes da indústria de defensivos agrícolas, pesquisadores, governo, agricultura orgânica e convencional devem buscar um denominador comum para a questão da regulamentação.

“Não se pode manipular produtos de forma experimental, até encontrar o modelo ideal. Regulamentar é condição básica para o crescimento da atividade com sustentabilidade econômica, beneficiando o produtor, mas com ganhos reais para o meio ambiente e sociedade. E tudo isso de maneira acessível e viável, já que existe um cenário favorável para o uso de bioinsumos no Brasil, que tem um mercado consumidor cada vez mais ávido por produtos saudáveis”, disse Vian.

Bioprospecção

Como garantir segurança e eficiência na produção on farm é a questão. Para a cultura do algodão, habituada aos processos de regulamentação e certificações, a produção com eficiência e as pesquisas dos bioinsumos precisam ser desenvolvidas em sintonia. O diretor executivo do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt), Álvaro Salles, apresentou a estrutura de produção utilizada pelo Instituto, o Laboratório de Bioprospecção, observando todos os critérios sanitários de segurança e qualidade. “A ciência nos conduz para o caminho da eficiência e segurança na produção on farm, quando o trabalho é feito com critério e responsabilidade, com laboratórios preparados e pessoal treinado”, afirmou.

Na opinião dos especialistas, a regulamentação deve observar aspectos como cadastro de propriedades, responsável técnico pela produção, além de utilização de microorganismos conhecidos com especificação de referência na lista oficial do Mapa, e treinamento adequado para os operadores. “O importante é que as ações estabelecidas levem à rastreabilidade, fiscalização, segurança e qualidade na produção”, finalizou Salles.

O evento contou com a participação do presidente do Instituto Brasil Orgânico (IBO), Rogério Dias, do secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Guilherme Leal, do diretor do departamento de Sanidade Vegetal do Mapa, Carlos Goulart, e representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da CropLife Brasil.


Fonte: Agrolink

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